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Estou ficando louca ou é a menopausa?" O impacto do climatério na saúde mental

  • Foto do escritor: Dra Júlia Cargnin
    Dra Júlia Cargnin
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Dra Julia Cargnin| Ginecologista
Dra Julia Cargnin| Ginecologista
  • Você tem entre 40 e 50 anos e, de repente, começou a sentir uma irritabilidade que não consegue controlar? Ou talvez uma tristeza sem motivo aparente, crises de ansiedade do nada, lapsos de memória frequentes e uma insônia persistente?

    • Se você já se pegou pensando "será que estou enlouquecendo?", saiba que você não está sozinha — e a resposta para as suas dúvidas pode estar nos seus hormônios, e não na sua mente.

      A transição para a menopausa (chamada de climatério) vai muito além das famosas ondas de calor. Ela mexe profundamente com o cérebro. Para jogar luz sobre esse tema, a FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) publicou suas novas recomendações globais de boas práticas, reforçando que cuidar da mente nessa fase é uma prioridade médica.

    O que a nova diretriz da FIGO diz sobre a mente na menopausa?

    De acordo com o consenso internacional da FIGO, as flutuações hormonais drásticas que antecedem a menopausa (a perimenopausa) têm um impacto direto e biológico no sistema nervoso central.

    O estrogênio e a progesterona funcionam como verdadeiros "combustíveis" para os neurotransmissores responsáveis pelo bem-estar, como a serotonina e a dopamina. Quando esses hormônios começam a oscilar e cair:

    • O "termostato" e o humor desregulam juntos: A mesma região do cérebro que controla os fogachos também afeta as emoções.

    • A vulnerabilidade aumenta: Mulheres que nunca tiveram depressão ou ansiedade podem apresentar os primeiros sintomas nessa fase. Aquelas que já tinham histórico de oscilações de humor (como TPM severa ou depressão pós-parto) ficam ainda mais vulneráveis.

    A mensagem principal da FIGO é clara: esses sintomas não são frescura, fraqueza ou uma "crise de meia-idade" psicológica. Existe uma base biológica real por trás deles.

    Sinais de alerta: Como o climatério afeta o seu cérebro?

    Veja os sintomas mais comuns que mostram que os hormônios estão afetando a sua mente:

    1. Névoa Mental (Brain Fog)

    A sensação de esquecimento constante, dificuldade de encontrar palavras simples durante uma conversa ou perda de foco no trabalho. O cérebro parece estar "trabalhando mais devagar".

    2. Ansiedade e Ataques de Pânico do Nada

    Mulheres seguras e resolvidas relatam começar a sentir taquicardia, falta de ar ou um medo irracional de situações cotidianas, como dirigir ou participar de reuniões.

    3. Irritabilidade Explosiva

    Aquela sensação de "pavio curto" onde qualquer detalhe vira um motivo para brigar. Muitas vezes, a própria mulher se assusta com a sua reação e sente culpa logo em seguida.

    4. Insônia e Fadiga Crônica

    A falta de estrogênio desregula o sono, fazendo com que a mulher acorde várias vezes na noite (muitas vezes por causa dos suores noturnos). Sem conseguir atingir o sono profundo, o corpo e a mente não se recuperam. O resultado aparece no dia seguinte: uma fadiga crônica, que é aquele cansaço tão profundo que a paciente acorda sentindo que não dormiu nada, sem energia física ou mental para as tarefas mais simples do dia.

    Como é o tratamento segundo as recomendações médicas atuais?

    O novo documento da FIGO defende que o sofrimento mental no climatério não deve ser negligenciado e exige uma abordagem multidisciplinar e individualizada. O tratamento moderno envolve pilares fundamentais:


Abordagem

Como funciona na prática?

Terapia de Reposição Hormonal (TRH)

Quando indicada, a reposição dos hormônios (especialmente o estrogênio por via transdérmica, em gel ou adesivo) estabiliza o cérebro, melhorando significativamente o humor, o sono e a cognição.

Suporte Psicológico

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é fortemente recomendada pelas diretrizes para ajudar no manejo do estresse, da ansiedade e das mudanças de vida desta fase.

Estilo de Vida Ativo

Exercícios físicos regulares (que liberam endorfina e protegem os ossos) e ajustes na higiene do sono são considerados intervenções terapêuticas essenciais, e não apenas "dicas de bem-estar".

Atenção: Em alguns casos de depressão ou ansiedade moderada a grave, o uso conjunto de medicamentos específicos (como antidepressivos modernos) podem ser necessários, sempre com avaliação médica.

O recado da ginecologia para você: Você não está louca!

O climatério é uma fase de transição profunda, mas ela não precisa ser vivida com sofrimento silencioso ou culpa. Se você não se reconhece mais no espelho ou sente que suas emoções estão fora dos trilhos, o primeiro passo é buscar ajuda especializada.

O ginecologista moderno está preparado para olhar para você de forma integral — cuidando do seu corpo, do seu metabolismo e da sua saúde mental. Há tratamento, há segurança e você pode recuperar a sua qualidade de vida.


Dra. Julia Cargnin

Ginecologista — CRM-GO 23.738 | RQE 12.536

📍 Goiânia – GO

📲 WhatsApp: (62) 99243-4114


Conteúdo estritamente informativo. Não substitui a consulta e a avaliação médica individualizada.

  • Khadilkar S, Divakar H, Benedetto C, Genazzani A, Ramos D, Argale E, Deshpande G, Hicky M, Filho ALDS, Herrera E, Balkrishnan M. FIGO best practice recommendations for the mental health of women at menopausal age. International Journal of Gynecology & Obstetrics. 2026 May;173(2):588-601.01.

 
 
 

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